Blog do Sergio Laranja
Processos, projetos, pessoas... um espaço para o aprendizado.
Fazer o que gosta X Gostar do que faz
Formado em Administração de Empresas por Haward e articulista da VEJA.
A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando "fazer o que se gosta", um conselho confuso e equivocado.
Nenhuma empresa paga profissional para fazer o que os funcionários gostam, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
Justamente, paga-se um salário para compensar o fato de que o trabalho é essencialmente chato.
Mesmo que você ache que gosta de algo no início de uma carreira, continuar a gostar da mesma coisa 25 anos depois não é tão fácil assim. Os gostos mudam, e aí você muda de profissão em profissão?
As coisas que eu realmente gosto de fazer, eu faço de graça, como organizar o Prêmio Bem Eficiente; ou faço quase de graça, como escrever artigos para a imprensa.
Eu duvido que os jogadores profissionais de futebol adorem acordar às 6 horas todo dia para treinar, faça sol, faça chuva. No fim de semana eles jogam bilhar, não o futebol que tanto dizem adorar.
O "ócio criativo", o sonho brasileiro de receber um salário para "fazer o que se gosta", somente é alcançado por alguns professores de filosofia que podem ler o que gostam em tempo integral. Nós, a grande maioria dos mortais, teremos que trabalhar em algo que não necessariamente gostamos, mas que precisará ser feito. Algo que a sociedade demanda.
Toda semana recebo jovens que querem trabalhar na minha consultoria num projeto social. "Quero ajudar os outros, não quero participar deste capitalismo selvagem".
Nestes casos, peço para deixarem comigo seus sapatos e suas meias, e voltarem a conversar comigo em uma semana. Normalmente nunca voltam, não demora mais do que 30 minutos para a ficha cair.
É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem "fazer o que gostam?"
Quem irá retirar o lixo, que pediatra e obstetra atenderá você às 2 da madrugada? Vocês acham que médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos porque gostam?
Felizmente para nós, os médicos, empresas, hospitais e entidades beneficentes que realmente ajudam os outros, estão aí para fazer o que precisa ser feito, aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que precisa ser feito, do que os egoístas que só querem "fazer o que gostam".
Teremos então que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressora?
A saída é aprender a gostar do que você faz, em vez de gastar anos a fio mudando de profissão até achar o que você gosta. E isto é mais fácil do que você pensa. Basta fazer o seu trabalho com esmero, um trabalho super bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão fazer seu trabalho com distinção e que o colocarão à frente dos demais.
Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isto, demoro demais, vivo brigando com quem é medíocre, reescrevo estes artigos umas 40 vezes para o desespero dos editores, sou super exigente, comigo e com os outros.
Hoje, percebo que foi este perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor na sua área, destaque-se pela sua precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado e outras portas se abrirão. Você vai começar a gostar do que faz, vai começar até a ser criativo, inventando coisa nova, e isto é um raro prazer.
Faça o seu trabalho mal feito e você estará odiando o que faz, a sua empresa, o seu patrão, os seus colegas, o seu país e a si mesmo. Esta é na minha opinião, o problema número 1 do Brasil. Fazemos tudo mal feito, fazemos o mínimo necessário, simplesmente porque não aprendemos a gostar do que temos de fazer e não realizamos tudo bem feito, com qualidade e precisão.
Sustentabilidade Corporativa E Gestão Da Mudança
Quando pensamos em sustentabilidade corporativa, a etapa mais complexa e difícil é a implementação, uma vez que esta acarreta profunda mudança no comportamento dos profissionais e nos valores da organização. Afinal, não é de um dia para o outro que se cria o hábito de jogar lixo em lixeiras específicas, que se utiliza a escada para subir apenas um andar, que se desliga o monitor quando se ausenta da estação de trabalho, ou então que se imprime frente e verso do papel. Isso para citar apenas alguns exemplos básicos da aplicação da sustentabilidade nas empresas.
Para auxiliar na empreitada, o change management funciona como excelente ferramenta de suporte. Bastante utilizado nas áreas de TI e de projetos, sua função é minimizar o impacto das mudanças, diminuindo os riscos de implementação e garantindo comprometimento e motivação dos envolvidos. A forma como o processo é aplicado pode variar de empresa para empresa, no entanto, há pontos em comum em todas as metodologias que não podem ser deixados de lado, principalmente as ações de planejamento, condução da mudança, capacitação e indicadores e métricas.
Na fase de planejamento, é possível avaliar em que estágio a empresa se encontra no que diz respeito à sustentabilidade e onde ela pretende chegar. Ferramentas como Indicadores Ethos e GRI são de grande valia para a análise, apesar de não serem obrigatórias. Além disso, é necessário identificar possíveis impactos causados, já que as ações planejadas nesta etapa funcionarão como diretrizes para a implementação.
Durante a condução da mudança é realizado o mapeamento de stakeholders, onde são classificados e monitorados os possíveis “patrocinadores” do projeto. Nesta fase, o objetivo principal é assegurar o comprometimento dos profissionais-chave e a criação de uma rede orientada para a mudança, possibilitando o acesso às informações a todos os níveis da empresa.
Uma etapa bastante difícil no processo de implementação é a da capacitação, pois este é o momento em que os conceitos de sustentabilidade corporativa são disseminados. Conflitos e resistência podem surgir, e, dependendo da gravidade, até mesmo, afetar o desempenho da empresa. Nesta fase o apoio dos tomadores de decisão é crucial para o sucesso do projeto.
A sustentabilidade deve ser encarada como estratégia competitiva desde o seu planejamento, e sua performance atrelada ao negócio da empresa. Para isso, é fundamental a definição de indicadores de implementação, como custo, tempo, impactos mitigados, entre outros. É preciso também, uma vez implementada, a definição dos indicadores de operação, como redução de consumo de bens naturais, valor de marca, negócios alavancados, além das métricas a serem alcançadas.
Implementar a sustentabilidade corporativa de forma alguma é fácil. O bom resultado depende não apenas de como a mudança é gerenciada, mas também da maturidade da organização sobre o assunto, suas motivações e do quanto o público interno é receptivo ao conceito. A mudança nos valores é fundamental, mas é necessário que o discurso esteja alinhado com o que é efetivamente praticado, já que, mais que a onda do politicamente correto, optar por ser uma empresa sustentável é um caminho sem volta.
/negocios-admin-artigos/sustentabilidade-corporativa-e-gestao-da-mudanca-1022691.html
Perfil do Autor
Jornalista (com diploma), adepta da escrita na língua portuguesa pré-2009,
pós-graduada em responsabilidade social empresarial e terceiro setor, tenho trabalho desenvolvido em sustentabilidade corporativa e green business.
Contato: mailto:sustentabilidade@sustentabilidadecorporativa.com
Twitter: @sustentabilizar
Gerenciamento de Projetos e o Encontro com o Alienígena
É possível que você conheça esta história:
Seis homens cegos foram convidados a determinar com o que um elefante parecia, pelo que sentiam ao tocar diferentes partes do seu corpo.
O cego que sente uma perna diz que o elefante é como um pilar, aquele que sente o rabo diz que o elefante é como uma corda, aquele que sente o tronco diz que o elefante é como um galho de árvore, aquele que sente a orelha diz que o elefante é como um ventilador manual, aquele que sente a barriga diz que o elefante é como um muro, e aquele que sente a presa, diz que o elefante é como um tubo sólido.
Um homem explica-lhes: "Todos vocês estão certos. A razão pela qual cada um de vocês classificou de forma diferente deve-se ao fato de que cada um tocou uma parte diferente do elefante. Na verdade o elefante tem todas as características mencionadas.
Esta é uma boa história que mostra que para explicar e compreender algo que é complexo é necessário ter-se a imagem completa. Cada um dos cegos estava correto, mas juntos tiveram uma compreensão maior.
Através de uma série de discussões pelo LinkedIn, fiz a seguinte pergunta:
"Nós todos sabemos a definição de gestão do projeto, mas, para que as outras pessoas entendam o que fazemos, como é que você descreve a gestão de projeto, de uma forma simples, para alguém que não tem a menor ideia sobre o assunto."
Pode ser impressão minha, embora eu tenho quase certeza que não, pessoas que estão fora da área de gerenciamento de projetos não têm noção do que se trata. Minha família não tem ideia sobre o que eu realmente faço e, aqui está um teste: pergunte a qualquer gerente de projeto se ele sabe responder a uma pergunta simples. Ele deve responder rapidamente, sem tempo para pensar; apenas responder! OK. Olhe em seus olhos e pergunte "o que faz um gerente de projeto?” - Aposto que ele irá murmurar algo parecido com “Ele gerencia projetos ...”
Não muito útil.
Naturalmente, como era esperado, as pessoas responderam com comentários que vão desde "Se um alienígena chegar do espaço, provavelmente saberá mais sobre gerenciamento de projetos do que nós" até o clássico “Eu pensei que os gerentes de projeto fossem alienígenas” – muito bem, não são, apesar de que os patrocinadores poderiam muito bem ser.
A seguir estão algumas das boas sugestões, juntamente com alguns dos meus comentários (E eu, naturalmente, agradeço a todos que apresentaram ideias):
"Ter a certeza de que alguma coisa que precisa ser feita não irá custar mais e demorar mais tempo do que o planejado, a todo o tempo antecipando quaisquer condições adversas ou obstáculos que possam impedi-lo de alcançar suas metas e planejar como superá-los se eles ocorrerem. Coordenar as pessoas para fazer diferentes atividades à medida que ocorrem e certificando-se que o objetivo final foi alcançado.”
Na verdade, quando eu explico em termos simples como estes, as pessoas olham para mim como se dissessem que isto não soa muito difícil e, com certeza, qualquer um pode fazer!
[Lição: Descrevendo as coisas de uma forma simples pode fazer parecer simples para serem feitas.]
"Uma maneira de reduzir a dor"
[Isso nos faz soar como uma pílula para dor de cabeça]
"Gerenciamento de Projetos envolve pensar antes de agir, fazer boas escolhas baseado em bom conhecimento, mantendo informados todos que precisam ser informados e equilibrar a necessidade de fazer um bom trabalho com os limites do nosso bolso."
[Muito bem colocado]
"Se eles chegaram aqui, não deveríamos estar perguntando a eles? Sem ofensa para a equipe da NASA, mas devemos aprender com os líderes de mercado."
[Avisei sobre esse tipo de resposta, mas eu gosto do conceito do líder de mercado]
“Começando algo novo e excitante feito com um grupo de pessoas!”
[Doce, com o olhar a partir de um ângulo diferente]
“A verdadeira definição de um projeto, de acordo com a acepção moderna, é um grande empreendimento, grande demais para ser gerenciado e, portanto, provavelmente o suficiente para se tornar em nada.”
[Um pouco negativo, talvez, mas eu percebo a dor]
"À medida que viajam através do espaço e tempo, gerenciamento de projetos é a ferramenta universal que permite que nossas viagens tomem o caminho mais curto através do espaço, em uma curta duração de tempo, com o uso do menor número de unidades de carbono qualificado possível."
[Eu gosto do estilo ágil aqui e havia um monte de 'viagens' baseadas nas explicações sugeridas]
"É importante ressaltar aos alienígenas que gerenciamento de projetos também requer a capacidade de realizar milagres, e que os gerentes de projeto são realmente milagrosos. Como Jesus que alimentou multidões com dois peixes e cinco pães, nós também temos que milagrosamente entregar expectativas irrealistas em prazos irreais, com um orçamento limitado. Que leva a uma habilidade muito especial: faz com que os gerentes de projetos sejam seres muito especiais. "
[Eu concordo com a proposta de sermos seres especiais, mas não tenho muita certeza das habilidades sobrenaturais - eu estou ouvindo mais dor]
“Gerenciamento de projetos é um verbo, não um substantivo."
[Um bom pensamento]
E assim os comentários seguiram-se (obrigado a todos mais uma vez) - uma mistura de desespero, humor e pensamento profundo.
Então, por que é tão difícil?
Aqui estamos nós com um alienígena (ou amigo ou parente ou vizinho) e nós temos 5 minutos para dizer-lhes o que fazemos. Certamente, devemos ser simples.
Albert Einstein disse: 'Se você não consegue explicar algo simplesmente, você não entendeu o suficiente sobre o tema'.
Realmente? Eu acho que nós sabemos de gerenciamento de projetos muito bem e nós certamente temos muita documentação sobre o assunto para nos ajudar e temos feito isso já há algum tempo.
Leonardo da Vinci declarou "Simplicidade é a sofisticação definitiva."
Então, todos nós não somos sofisticados? Definitivamente não. Parece que começamos uma jornada, mas ainda não chegamos a qualquer destino.
Em uma tentativa final e desesperada de obter algo útil para concluir este artigo eu acessei o serviço de respostas online 36663 que se declara ‘O serviço de respostas mais preciso do Reino Unido'. Depois de 5 minutos eu obtive esta resposta:
"O gerenciamento de projetos é o planejamento, execução e finalização dos projetos. Trata-se de identificar as necessidades de recursos e controle de qualidade."
Eu comentei isso com o alienígena que vive no quarto do meu filho adolescente, na maior parte das vezes jogando no X-box, e ele apenas disse "O quê?”
Ó Vida!
Sobre o autor:
Apesar do título de “O Gerente de Projeto Preguiçoso”, Peter Taylor é de fato um profissional dinâmico e astuto, que tem conquistado notável sucesso em gerenciamento de projeto, gerenciamento de programa e desenvolvimento profissional de gerentes de projeto. Atualmente é Diretor de PMO na Siemens PLM Software, um fornecedor global de soluções para gerenciamento de ciclo de vida de produtos. Mr. Taylor é um excelente comunicador e líder; sempre adota uma abordagem proativa e focada em negócios, e é um palestrante profissional com atuação através da City Speakers International. Autor do livro ‘The Lazy Project Manager’ (Infinite Ideas 2009). Maiores informações sobre o livro e o autor podem ser obtidas em www.thelazyprojectmanager.com.
E-mail do autor: taylor.peter@siemens.com
Gestão do Tempo
Colocou-o em cima da mesa, junto a uma bandeja com pedras do tamanho de um punho, e perguntou:
- "Quantas pedras pensam que cabem neste frasco?"
Depois dos presentes fazerem suas conjecturas, começou a meter pedras até que encheu o frasco. E aí perguntou:
- "Está cheio?"
Todos olharam para o frasco e assentiram que sim. Então ele tirou debaixo da mesa um saco com gravilha (pedrinhas pequenas, menores que a "brita").
Colocou parte da gravilha dentro do frasco e agitou-o.
As pedrinhas penetraram pelos espaços deixados pelas pedras grandes
O consultor sorriu com ironia e repetiu:
- "Está cheio?"
Desta vez os ouvintes duvidaram:
- "Talvez não.", responderam.
- "Muito bem!", disse ele, e pousou na mesa um saco com areia que começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos, deixados pelas pedras e pela gravilha.
- "Está cheio?", perguntou de novo.
- "Não!", exclamaram os presentes. Então o consultor pegou uma jarra com água e começou a derramar para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
- "Bom, o que acabamos de demonstrar?", perguntou.
Um ouvinte, mais afoito, arriscou:
- "Que não importa o quão cheia está a nossa agenda; se quisermos, sempre conseguimos fazer com que caibam mais compromissos."
- "Não!", concluiu o especialista, "o que esta lição nos ensina é que se não colocarem as pedras grandes primeiro, nunca poderão colocá-las depois...
E quais são as grandes pedras nas nossas vidas? A pessoa amada, nossos filhos, os amigos, os nossos sonhos e desejos, a nossa saúde.
Lembrem-se: ponham-nos sempre primeiro. O resto encontrará o seu lugar!"
[Autor Desconhecido]
IV Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi 2011
O IV Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico – Consegi 2011 acontece no período de 11 a 13 de maio de 2011, em Brasília (DF). O evento será realizado pela Escola de Administração Fazendária – Esaf do Ministério da Fazenda, em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro.
O Consegi é um importante espaço para promover a troca de experiências e informações entre instituições da Administração Pública, sociedade civil organizada e representantes de países parceiros. Palestras, painéis e oficinas terão lugar na edição de 2011 que será marcada pela discussão do tema "Dados Abertos".
Endereço ESAF
Rodovia DF-001 km 27,4
Setor de Habitações Individuais Sul
Lago Sul/DF - CEP: 71686-900
Decisões tomadas com base em critérios emotivos: quando se ganha e quando se perde?
A cultura e a política da empresa onde o profissional atua são determinantes nessas situações
Infomoney
No mercado de trabalho, dependendo do cargo que se ocupa, cada decisão tem um determinado peso. E grande parte delas gera alguma consequência, em maior ou menor grau, para as empresas ou para a própria carreira do profissional. No meio do caminho, a escolha feita pode ajudar ou prejudicar a trajetória profissional. E isso é natural, tendo em vista que em cada decisão existe um fator que pode ser um complicador ou um facilitador de todo esse processo: as emoções.
"As emoções nos acompanham o tempo todo e são importantes, pois nos fornecem pistas de como estamos e quem somos", afirma a psicóloga Clarice Barbosa. Ela explica que hoje existe uma linha tênue entre o âmbito profissional e o emocional. Em muitos casos, essa linha sequer existe – o que contribui para a existência de profissionais extremamente emotivos, que fazem suas escolhas de carreira baseadas apenas em questões emocionais.
A extinção da separação vida pessoal e profissional tem uma explicação bem racional. O mercado está mais competitivo, as informações chegam a todo momento e de maneira desenfreada e a qualificação para se dar bem na carreira tem de ser constante. Tudo isso, contando com o aumento do volume de trabalho, é o que explica a demanda por profissionais "multitarefa". O problema é que o dia continuou tendo 24 horas. "É muita informação em pouco tempo e não conseguimos ter tempo para pensar e aprofundar nada. Nossa mente tem um tempo interno. E não estamos respeitando esse tempo", explica a psicóloga.
Não é à toa a velha afirmação de que só é possível ter qualidade de vida quando se separa, ao menos, a vida profissional da pessoal. Para muitos profissionais, no entanto, essas duas esferas se tornaram uma só. As emoções, a partir daí, afloram mais. E vai ficando cada vez mais difícil saber quando a decisão a ser adotada foi baseada mais em critérios racionais que emocionais.
O racional x o emocional
"Profissionais mais emotivos aprenderam desde cedo a lidar com situações externas utilizando as emoções", explica Clarice. "Com isso, eles acreditam que conseguirão tudo o que querem", afirma a psicóloga que conta conhecer casos de pessoas que choravam a cada crítica que recebiam do líder ou de colegas. Elas agem assim, explica Clarice, porque, de maneira geral, os emotivos estendem para o âmbito profissional emoções típicas da vida pessoal.
Casos, por exemplo, de profissionais que recusam novas oportunidades por não quererem romper o vínculo que criaram com os atuais colegas de trabalho são comuns. "Nesse caso, a decisão se relaciona com a carência afetiva desse profissional", explica a psicóloga. Profissionais mais racionais não perderiam novos desafios por amizades dentro da empresa. "Eles estão pensando no progresso profissional", afirma.
"Com certeza, toda ação e decisão feita e adotada por impulso é complicada", afirma a headhunter da De Bernt Entschev Human Capital Cristina Reininger. A especialista explica que profissionais que adotam critérios apenas emotivos para a tomada de decisão podem se prejudicar no mercado. "Eles podem ser vistos como imaturos", considera.
Um profissional que tem um comportamento mais emotivo, na avaliação de Cristina, é mais inseguro. Ela enfatiza, porém, que esse comportamento pode ser mais ou menos constante em determinadas profissões. A cultura e a política da empresa onde esse profissional atua também são determinantes na acentuação dessa característica. "Sempre tem uma influência do momento pelo qual esse profissional passa", avalia Cristina.
Consequências
Uma das consequências de se agir baseado nas emoções é justamente a estagnação da carreira, ou porque o profissional não percebe que isso está acontecendo ou pelo fato de ele cometer erros constantes. "Profissionais racionais pensam muito e agem menos. Os emotivos agem mais e, por isso, também erram mais", explica Clarice.
Outra consequência é o estresse. Um profissional mais racional nega o que sente e o emotivo é mais aberto a isso. "Com isso, o estresse pode ser maior no emotivo e pode até mascarar uma depressão", avalia a psicóloga. Tudo isso não significa dizer que ser racional é melhor quando se trata de desenvolvimento da carreira. Um líder que é muito racional, por exemplo, pode deixar de lado o bem-estar dos seus colaboradores, e pode acabar não tendo sucesso devido a isso.
Se não podemos contra elas...
Não importa se você está no trabalho ou em casa, brigando com seu líder ou com seu namorado, as emoções estarão presentes, em menor ou maior grau, dependendo da situação e do local. A grande questão, para as especialistas consultadas, não é o fato de as emoções estarem presentes nas escolhas de carreira. Mas sim o fato de elas atuarem em excesso.
E já que é impossível se desvencilhar das emoções, então, para minimizar erros, o ideal seria tentar equilibrá-las. "O profissional tem de saber administrar e organizar suas emoções", afirma Cristina. "Para isso, é preciso ampliar o autoconhecimento e a autoconfiança. Um profissional confiante não vai se deixar abalar por determinadas situações", explica a headhunter.
Para ela, um planejamento de carreira, nessas horas, é fundamental. Ainda que o profissional não siga essa linha à risca, ao menos ela indicará um caminho possível, com largada e chegada. Com isso, apesar de todas as situações que ele venha a enfrentar, ele conseguirá estabelecer critérios mais racionais em prol dessa meta de carreira.
"Esse profissional precisa ter um contraponto. Não pode ser só emoção ou só racional. Ele precisa voltar para si mesmo e perceber se essas decisões o ajudarão no futuro", considera Clarice. "Isso é inteligência emocional: utilizar as emoções a seu favor", considera. Ela lembra que a tomada de decisões envolve a emoção, a razão e a intuição. E que o equilíbrio desses fatores é importante. "As emoções são positivas. As atitudes que nós temos em decorrência de uma emoção é que podem nos prejudicar".
Publicado no site www.administradores.com.br no dia 28/03/2011.
Sistemas operacionais poderão ter autodefesa contra ataques

O suporte de hardware consiste basicamente na adição de um cache ao microprocessador, dedicado à tarefa de proteção.[Imagem: Jiang/Solihin]
Como Bill Gates bem sabe, o sistema operacional é o sistema nervoso do seu computador.
Se o sistema operacional for corrompido, os atacantes podem assumir o controle do seu computador, roubar informações ou impedir que ele funcione.
Agora, pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, afirmam ter desenvolvido um sistema que utiliza recursos de hardware e de software para restaurar um sistema operacional que tenha sido comprometido por um ataque.
Fotografias do sistema operacional
A ideia parece simples demais para que não tivesse sido tentada antes: tirar "fotografias" do sistema operacional continuamente, por exemplo, durante as interrupções de software (IRQs) ou durante as chamadas ao sistema (system calls), quando os programas pedem que o sistema operacional desempenhe funções a seu cargo.
A maioria dos ataques graves ocorre quando o atacante corrompe um aplicativo - o navegador da web, por exemplo - e, em seguida, o utiliza para fazer chamadas ao sistema, ganhando acesso aos arquivos, entre inúmeras outras possibilidades.
O conceito é tirar um instantâneo do sistema operacional em momentos estratégicos, quando ele está funcionando normalmente e, em seguida, se o sistema operacional for atacado, apagar tudo o que foi feito desde que o último instantâneo foi tirado - efetivamente voltando no tempo para o momento anterior ao ataque.
O mecanismo também permite que o sistema operacional identifique a origem do ataque e o isole, de modo a se tornar imune a novos ataques a partir desse aplicativo.
Autodefesa do sistema operacional
Na verdade essa ideia já foi tentada muitas vezes antes, mas foi abandonada como sendo impraticável - o sistema vai passar mais tempo cuidando de si mesmo do que dos aplicativos do usuário.
"Mas nós desenvolvemos um suporte de hardware que permite que o sistema operacional incorpore esses componentes de sobrevivência de forma mais eficiente, de modo que eles consomem menos tempo e energia," afirma Dr. Yan Solihin, coautor do artigo que descreve a nova estratégia de autodefesa.
O suporte de hardware consiste basicamente na adição de um cache ao microprocessador, dedicado à tarefa de proteção.
Solihin e seus colegas afirmam que seu novo sistema de sobrevivência ocupa menos de 5 por cento dos recursos computacionais já normalmente consumidos pelo sistema operacional.
Agora é só esperar para ver se os "fabricantes de sistemas operacionais" e de processadores acham a ideia boa o suficiente para incorporá-la em seus produtos - ou encontrem alguma falha em seu projeto.
Bibliografia:
Architectural Framework for Supporting Operating System Survivability
Xiaowei Jiang, Yan Solihin
IEEE International Symposium on High-Performance Computer Architecture Proceedings
Feb. 16 2011
http://www4.ncsu.edu/~xjiang/files/hpca-surv.pdf
USP testa TV digital pela rede elétrica

O sistema baseia-se na transmissão do sinal de televisão digital pela rede elétrica, o chamado sistema PLC. [Imagem: André Hirakawa]
Um projeto de pesquisa reunindo cientistas e engenheiros do Brasil e da Europa desenvolveu uma forma de levar a TV digital para pequenas comunidades afastadas dos grandes centros.
A técnica permite a criação de conteúdo próprio e maior interação do telespectador.
TV digital pela rede elétrica
O sistema baseia-se na transmissão do sinal de televisão digital pela rede elétrica, o chamado sistema PLC, da sigla em inglês Power Line Communications.
Batizado de SAMBA System for Advanced interactive digital television and Mobile services in BrAzil), o projeto teve participação de empresas e instituições de países europeus e do Brasil, com financiamento da União Europeia.
O grupo testou o sistema durante três meses no município de Barreirinhas, no estado do Maranhão. Segundo o professor André Riyuiti Hirakawa, da Poli-USP, a cidade foi escolhida por ser o município mais pobre do País.
"A cidade tem eletricidade, mas não tem provedor de banda larga ou TV a cabo. Nós pensamos em como usar a televisão para ajudar a comunidade," diz Hirakawa.
O projeto SAMBA montou em 2009 uma estação de televisão no local, com transmissão da TV Mirante, emissora afiliada da Rede Globo no Maranhão. Mas não é uma transmissão comum.
A população pode participar diretamente na criação do conteúdo, como destaca Hirakawa: "A princípio, a comunicação pela televisão é unidirecional. Já a transmissão em Barreirinhas possui material da TV Mirante e material próprio do local e de forma interativa."
Personagens locais
O professor explica que há um gerenciador de conteúdo, que fornece as ferramentas para a criação e gerenciamento da programação local. Depois, ele é distribuído para toda a cidade.
Para concretizar esse plano, o SAMBA integrou a população de Barreirinhas para participar do projeto. Foram escolhidos alguns "personagens" da comunidade para testar as ferramentas fornecidas.
Os equipamentos necessários foram instalados nas casas dos personagens escolhidos, para que eles criassem textos, imagens, vídeos e áudios. Os programas criados foram disponibilizados nas televisões do resto da comunidade.
"Pensamos em pessoas que poderiam contribuir na introdução de conteúdo, como donos de estabelecimentos comerciais, um professor, uma dona de casa e um aluno. Um professor, por exemplo, pode fornecer material didático para a população", diz Hirakawa.
Interatividade
A Poli/USP participou do projeto com um grupo do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais, coordenado por Hirakawa.
Seu grupo ajudou a criar a parte de processamento e o sistema PLC. O sinal de TV original da TV Mirante é recebido pela estação local, misturado com o conteúdo gerado localmente e retransmitido para toda a cidade de Barreirinhas.
O professor da Poli detalha que a TV digital em Barreirinhas funciona como um computador e internet para os usuários, devido à interatividade que ele permite. A navegação pelo material que chega na televisão e a criação de novos conteúdos podem ser comandados por um controle remoto juntamente com um teclado virtual na TV.
Aqueles que criam textos, imagens ou vídeos no município fazem isso diretamente pelo televisor, com um conversor, também conhecido como set-top box, que possui um receptor.
A informação do aparelho vai para uma central, o sistema de gerenciamento de conteúdos, que retransmite os dados para as outras televisões.
Vantagens do sistema PLC
A escolha do sistema PLC facilitou a instalação da TV digital por ter aproveitado os cabos de energia já existentes.
Hirakawa acrescenta o baixo custo do sistema entre as principais vantagens: "Por enquanto, o PLC é mais barato para o usuário porque o cabeamento já existe". O professor estima que, sem contar a mão-de-obra, a instalação do sistema PLC deve custar algo em torno de R$20.000,00, enquanto uma instalação de banda larga equivalente deve custar por volta R$ 50.000,00, contando somente a infraestrutura de comunicação - isso para a comunidade inteira.
Entre as desvantagens, há ruídos na comunicação causados por outros objetos que usam a eletricidade, podendo interromper o sistema. Para saná-lo, o projeto usou filtros nas tomadas desses aparelhos.
Ao final do teste, contudo, tudo foi desmontado e trazido de volta. Por ser um projeto de pesquisa, os equipamentos e o sistema não puderam ficar em Barreirinhas.
Da TV digital, por ora, os personagens e habitantes da cidade mais pobre do Brasil ficaram apenas com as histórias para contar.
O Projeto SAMBA também fez testes na cidade de Natz, no norte da Itália